That’s all folks

Em 1983 tí­nhamos, o Nego - Carlos Alberto - Pessí´a e eu, uma agência de propaganda em Curitiba, a Macunaí­ma. Neste ano Bjí¶rn Borg (Estocolmo, 06 de junho de 1956) encerrava, depois de 10 anos e cem milhíµes de dólares, a sua carreira de tenista. Vira a página. A Macunaí­ma produzia a programação esportiva da Rádio Estadual, hoje Educativa, do Paraná. A Scandinavian Airlines System, hoje International, com a finalidade de popularizar o tênis, e sua marca, promoveu uma turnê de despedida de Borg, que incluiu o Brasil. Convocou-se na época, para enfrentar o sueco, Carlos Alberto Kirmayr e o primeiro jogo foi em São Paulo, vencido pelo brasileiro. E segundo, em Curitiba, foi realizado em uma quadra do Graciosa Country Club, eu estava lá. “Repórter” da Rádio Estadual fui conversar com Kirmayr. Lá pelas tantas, a pergunta inevitável: quantos anos ainda terí­amos que esperar para ver um brasileiro numa final de Grand Slam, qualquer final? Kirmayr não vacilou: “de dez a quinze anos”. A resposta não desceu pacificamente, mas quem era ou sou pra ser contrário?
A Macunaí­ma não durou muito tempo, aniquilada por um governador, infelizmente morto, o que me tira o direito de chamá-lo de safado, mas em 1997 eu estava de volta as quadras do Graciosa na final do “Challanger Cup Embratel”, vencida por um catarinense de quem eu nunca ouvira falar: Gustavo Kuerten. Mas uma coisa dava pra ter certeza, era muito jogo pra pouco torneio. Em seguida, o “catarina” viajou pra França, pras quadras de Roland Garros, mais precisamente. Cara-pálida, quatorze anos depois da previsão do Kirmayr, no mesmo local. Bom, daí­ pra frente não precisa discorrer sobre o que aconteceu, todos, ou quase todos, sabemos. Tricampeão de Garros; número um do mundo em 2000; segundo, em 2001, e em 2003 a primeira cirurgia. Daí­ pra frente também não precisa falar mais nada, todos, ou quase todos, também sabemos. Guga, como Maria Ester Bueno (alguém aí­ sabe quem é?), Eder Jofre e dezenas de casos isolados, são fení´menos que ocorrem raras vezes em paises pouco civilizados. Pouco civilizado, no caso, depende de que lado do chicote você está. Pra resumir, a parada de Guga é lamentável por vários motivos, mas, pra mim, o principal está amparado no fato de não se ter aproveitado o momento em que ele era a estrela do dia, pra se popularizar o tênis. Passamos batidos em mais essa. Gostaria de encontrar novamente Kirmayr pra repetir a pergunta. Quando teremos um novo Guga numa final de Grand Slam, qualquer um? Cinco, dez, quinze anos novamente, ou existe algum outro milagre em andamento e a gente não sabe? Também não sei. O que sobrou de tudo isso? Pra mim (outra vez) o resumo da ópera, a lição de humildade depois da derrota no “Brasil Open”, na Bahia: “Não é que eu não queira jogar mais, eu peço desculpas, mas realmente eu não consigo mais”.
Vocês já imaginaram um polí­tico brasileiro com essa dignidade?
E o cara comeu o peixe - Vocês devem ter visto na televisão aquele cara que foi atacado(?) por um Marlin Azul - aquele peixe que todo pescador oceãnico quer fisgar - em Matinhos. Pois é, aí­ o herói, num gesto de puro revanchismo, aparece cortando seu ‘troféu’ em pedaços.
Fiquei imaginando isso nos Estados Unidos. Primeiro, o peixe jamais seria esquartejado, teria virado troféu, dependurado em cima da lareira. Depois o cara escreveria um livro de como se pegar Marlin Azul, í  unha, na praia. Depois do sucesso do livro, fabricaria “lembrancinhas” do bicho e, finalmente, o livro viraria filme. E o cara ficaria rico. Aqui o peixe acabou na frigideira. Bem feito pro peixe, né? Quem manda atacar em praia de paí­s de terceiro (ou quarto?) mundo.