

Dona Merislawa pergunta, propíµe e decreta:
Se há um crime em evidência; um fato de desordem; uma incorreção na ordem natural dos procedimentos; uma falcatrua que escandaliza e faz corar de raiva e vergonha; um desvio de dinheiro carimbado (um é pouco, dois é pouco, três é pouco... um monte é pouco); um desvio de dinheiro não carimbado (idem ao parênteses anterior); a suposição de equívocos financeiros; o indício de irregularidades administrativas; falta de vergonha na exposição de idéias; falta de vergonha nas afirmaçíµes que embalaiam todos os gatos e ensacam todas as farinhas; e há, que se estabeleça, então, uma nova ordem das coisas, uma nova regra, normativa, orientação: que todos sejam culpados até que se prove a sua inocência.
Sumiu dinheiro da pasta tal que trata dos assuntos tais? Que o responsável seja imediatamente preso e somente solto após provada a sua inocência. Entendendo-se que o processo que provará a sua inocência necessariamente apontará o culpado provado.
A verba destinada para socorrer a fatalidade diminuiu de tamanho ou desapareceu? Que o responsável pela sua última manipulação seja preso até que o dinheiro retorne ao seu tamanho normal e seja devidamente aplicada.
A construção ampliou-se na prancheta e exigiu aportes imprevistos de mais dinheiro? O aporte se deu e a ampliação encolheu? Que se prendam os prancheteiros e os aportadores até que o dinheiro seja devolvido ou a construção ampliada. Ou até que os encrenqueiros formadores de confusíµes que distraem a justiça sejam identificados e enjaulados.
A pavimentação asfáltica ficou só no mapa? Mas o dinheiro pra empreiteira saiu? E o miserável do agricultor continua quebrando trator e pata de mula? Ninguém é culpado? Que se prenda o pavimentador que catou o dinheiro e o abridor da porta desse dinheiro, até que o beneficiado , culpado portanto, seja identificado e preso. E quando o for que leve um coice da mula.
O remédio comprado estava vencido? Era genérico e o preço cobrado, do normal? A seringa não chegou mas o pagamento saiu? O médico recebeu mas não atendeu? A consulta foi pelo SUS e o atendimento pelo genérico do pirata do SUS? Não tem culpado? Que sejam presos todos os inocentes: os que vendem e os que compram remédios vencidos; os que vendem genéricos com preços de não-genéricos e os que pagam genéricos a preços de não-genéricos. Os inocentes que recebem sem atender e os inocentes que em nome de um sistema falido atendem mal. E que fiquem presos até que se identifiquem os culpados por essas coisas acontecerem.
Liberou-se dinheiro a rodo para os cartíµes corporativos e não se criaram mecanismos de controle adequados? Os gastadores são todos inocentes porque as regras que determinam a utilização desses mecanismos de facilitação de gastos não foram devidamente esclarecidas e, portanto, a culpa não é de quem gastou mal. A culpa é do... do... da... da... Não tem culpado! Então que se prendam os inocentes gastadores desse dinheiro até que os culpados sejam encontrados.
Incluem-se na cobertura deste Decreto os malversadores que o são sem querer, inocente-mente, entendendo-se que a sua inocência esvazia-se de naturalidade na proporção do estrago produzido ou do bem abortado.
Este decreto é exclusivo das relaçíµes que dizem respeito í utilização, manipulação, versação, definição, previsão, captação, destinação, pensação, intenção, imaginação, sensação, e todos os çãos, sãos e ãos imagináveis, ao dinheiro público. Portanto, não vale para os sonegadores e outros ores da casta privada que são regidos por rígidas legislaçíµes que não permitem a produção de inocentes sem que o sejam de fato.
Tenho dito. Cumpra-se!