Todos estão certos, todos estão errados e entende isso quem pode e quem quer

Recentemente fui inquirido a responder se concordava com as freqí¼entes açíµes de... digamos... “ajuda ao próximo” que freqí¼entemente se desencadeiam na cidade de diferentes maneiras. - Claro que sim. Toda forma de ajuda é valiosa e necessária, independente da natureza e das intençíµes que a geraram, pela simples constatação óbvia de que se alguém está pedindo ajuda é porque precisa de ajuda. E se alguém precisa de ajuda, alguém tem que ajudar! Ponto final.
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Outro dia numa conversa bastante animada com um parente, ele descia o cacete no governo porque tinha um conhecido que conseguira o benefí­cio do Luz Fraterna, muito embora já estivesse aposentado e tivesse um rendimento bom o suficiente para não precisar da concessão social.
Segundo ele, o meu parente, o governo está errado ao criar programas que atendam indiscriminadamente as pessoas, porque, no fundo quem acaba pagando por esses programas somos nós (nós aqui, no caso, é ele, o meu parente).
Uma outra conhecida, superparente, que ouvia o causo, concordou plenamente e, revoltando-se, afirmou que ao ficar concedendo bolsa disso e daquilo, o governo não está mais do que “consolidando” a massa de vagabundos que não querem trabalhar porque o governo lhes dá dinheiro para não trabalhar. E pontuou final.
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Os textos acima, mais um que citava o Programa Leite das Crianças e mais outro que falava de qualificação profissional, compunham a “Por Enquanto” de 21 de fevereiro de 2005. Portanto, três anos atrás. E, por saber que havia publicado alguma coisa que falava de Programas Sociais, vasculhei primeiro na memória e depois nos arquivos (na verdade disquete, mas disquete é coisa do passado) o conteúdo para enaltecer o grande acontecimento de Irati nessa área: a entrega das instalaçíµes aonde funcionarão os dois CRAS-Centros de Referência da Assistência Social, no último dia 28. Um na Vila São João e outro na Lagoa.
Trata-se de um instrumento preconizado pela Lei Orgãnica da Assistência Social e regulamentado pela Norma Operacional Básica do Sistema íšnico da Assistência Social, que determina que o Municí­pio, para comprovar capacidade na Gestão da Polí­tica (assim, com P maiúsculo) na área da Assistência Social, tem que oferecer í  população uma estrutura de atendimento que transcenda í  lógica historicamente determinada de que assistência social é dar cesta básica, agasalho, muleta e cadeira de rodas, quando não dentaduras. í‰ mais: é oferecer í  população que precisa, condiçíµes minimamente adequadas para que vivam em condiçíµes dignas. E esse “minimamente” quer dizer que é necessário um trabalho sério, responsável e comprometido para com o bem estar social da população, entendendo que ninguém é pobre por opção ou por gosto. Mas, entendendo que a pobreza social resulta de complexos processos de exclusão resultado de ampla exploração pelo trabalho, entre outras formas de exploração.
Ao entregar as instalaçíµes dos CRAS para que os ser-viços da Assistência Social se realizem dentro das exigências legais, em Irati, a Administração Municipal demonstra compromisso social, maturidade polí­tica e muita coragem. Viva a Equipe responsável pela gestão da Assistência no Municí­pio; Viva o Prefeito Sérgio Stoklos; Viva Irati!
Quanto aos que optaram pela pobreza e que andarilham bêbados pela vida, esses não têm jeito e ainda assim merecem dignidade. Sua opção pela pobreza é o inverso da opção dos que o fizeram pela exploração, pela sonegação, pela violência, pela injustiça, pela ocultação, pela corrupção nas suas mais singelas e hediondas manifestaçíµes.
Atualmente desde a concessão de um passe de í´nibus até a transferência de um salário mí­nimo através do BPC, são açíµes que dependem do reconhecimento da situação de vulnerabilidade das populaçíµes que precisam. Isso se consegue através do diagnóstico social, determinante do perfil do usuário da Assistência e implica numa organização nunca imaginada e nunca planejada. Agora o é.
Por isso cito a “Por Enquanto” de três anos atrás, para dizer que o processo evolutivo que determina os instrumentos de monitoramento, controle e avaliação das polí­ticas, em todas as áreas, mas especificamente na da Assistência Social estão aí­ para serem conhecidos e apropriados. Ainda que ficar com a bundona afundada na poltrona, a lí­ngua solta e o espelho coberto é mais fácil pois não exige esforço de conhecimento nem de reconhecimento.
A caridade é um caminho seguro para a conquista do céu e de votos. A oferta de serviços entendidos como direitos de cidadania preconizados em legislaçíµes especí­ficas é expressão de compromisso polí­tico e social. Aquela é prerrogativa de quem quer. Esta, de quem pode... e quer!