Conterrãneo

Não morro de amores pela classe polí­tica em geral, como, em geral, não morro de amores por classe nenhuma. Claro que sei que a recí­proca, como não poderia ser diferente, ela também não me cultua, o que muito me alegra. Mas, dá-se o seguinte: Irati, naquele tempo, corria atrás da vinda pra cidade da Siemens Automotive, atraí­da pelo projeto do governo estadual do pólo automotivo do Estado. Briga de facão pra cachorro grande, o Rodrigo, então prefeito, encontrou em Nelson Justus, então secretário de Indústria e Comércio, o parceiro ideal pra empreitada. Sou testemunha ocular e participativa da história. Vira a página. Nelson Justus, tempos depois deixaria a secretaria pra ser outra vez candidato. A saí­da do secretário, sugeria uma interrupção, mesmo velada, da nossa pretensão - não discutida - de que o nosso destino a caminho de uma futura batida contra Detroit (o pólo dos pólos automobilí­sticos) havia terminado. Quem seria o novo secretário? Durou pouco o mistério: â€œí‰ um tal de Sciarra, Eduardo Sciarra, de Cascavel”. Senti, não a vaca, mas a tropa indo pro brejo. Qualquer nome que passasse do Relógio, no rumo Oeste; Rebouças, pro Sul; Imbituva, pro Norte e o trevo, no sentido de Curitiba, pro Leste, pra mim, vinha carregado daquele bairrismo com que convivemos durante anos e os nossos bovinos, mais uma vez, dançariam. Bom, passou tudo isso e, de repente, numa dessas campanhas polí­ticas da vida, vem o Orlando Agulham nos apresentar um candidato a deputado federal, que havia sido secretário de Indústria e Comércio, era de Cascavel, e mais uma série de atributos que em época de eleição, se o candidato não as tem a gente inventa, mas que era bom. Eu, na minha modesta e sempre errada avaliação, chutei: mais um PQD - calma, cara-pálida, PQD é pára-quedista, aqueles candidatos que só aparecem no local em época de eleição - e cai, como muita gente caiu do cavalo. Encerra o capitulo. Segunda-feira, dia 31, a Cãmara Municipal de Irati reuniu-se para conceder a Eduardo Sciarra o tí­tulo de Cidadão Honorário de Irati. Muito mais do que merecida, a honraria até tenha vindo - pelos trabalhos prestados pelo deputado - um pouco tarde, mas veio. Eduardo Sciarra, foge do perfil do polí­tico convencional, desses que a gente ta acostumado a ver estampados na mí­dia por motivos nem sempre “relevantes”. Avesso a mensalão e outras tertúlias do tipo, passou por várias tempestades que envolvem o meio, sem mácula. í‰ o anti “pop star”, aquela coisa do “cheguei”. í‰ o cidadão comum que está - e tem consciência disso - deputado federal. Nunca se vestiu da “otoridade” (tão comum nos Severinos Cavalcanti), pra falar de cima pra baixo. Ele é igual, parceiro, e agora conterrãneo. Ganham os dois: Irati e Eduardo Sciarra.