Psicólogo fala sobre a depressão

Aproximadamente 15 a 20% da população mundial, em algum momento da vida, passou por um quadro depressivo
Irati - A depressão, também conhecida como transtorno depressivo maior, é um problema médico caracterizado notavelmente por dois sintomas principais: humor demasiadamente raso e redução na capacidade de sentir satisfações ou vivenciar prazeres. Embora seja mais comum em pessoas com idade entre 24 e 44 anos, a doença atinge diversas faixas etárias e, como tantas outras enfermidades, requer tratamento.
“A depressão é um desajuste emocional que se mantém quando a pessoa não consegue lidar com a sua própria angústia. Dentro dessa angústia existe uma divisão, que culmina com a falta de diálogo entre o mundo interno e o externo”, afirma Antonio Marcos Batista, psicólogo clínico que atende na região pelo Consórcio Intermunicipal de Saúde (CIS Amcespar). Segundo ele, a situação depressiva diferencia-se da tristeza ou melancolia que atinge a grande maioria das pessoas, por se tratar de uma condição duradoura, cuja origem é neurológica e surge acompanhada por vários sintomas específicos. “As causas desse transtorno são diversas, mas acredita-se que a doença possa ter relação direta com fatores como estresse, má alimentação, estilo de vida, uso de drogas pesadas e também pode ser de ordem genética”, explica.
Os sintomas da depressão são variados. O paciente pode apresentar desde sintomas mais leves, como sensações de tristeza e pensamentos negativos, até fortes alterações, como enjôos, dores e alucinações. Contudo, para se diagnosticar a doença, é necessário que o paciente apresente um grupo de sintomas característicos, tais como perda de energia ou interesse, humor deprimido, dificuldades de concentração no dia-a-dia, alterações de apetite e sono, redução das atividades físicas e mentais e sentimento de angústia ou fracasso.
Conforme o especialista, os sintomas corporais mais comuns são sensações de desconforto no batimento cardíaco, coriza, dores de cabeça acentuadas e dificuldades digestivas. “Períodos de melhora intercalados com algumas crises são comuns, o que acabam criando a falsa sensação de que se está melhorando sozinho quando, por alguns dias, a pessoa se sente bem”, completa.
Quando os sintomas permanecem por longos períodos de tempo, entre quatro a seis meses, aparecendo de modo mais brando, costuma-se classificá-la como distimia. Nas ocorrências consideradas graves, é comum o paciente apresentar sintomas de dimensões incontroláveis, que impossibilitam as atividades do cotidiano e têm como conseqüência direta a internação, uma vez que é grande risco do doente cometer o suicídio.
“São vários tipos e graus de depressão. Alguns atingem apenas mulheres, como é o caso da depressão pós-parto, outros são mais gerais e não escolhem gênero ou faixa etária para ocorrer. Por causa disso o tratamento é muito amplo e pode levar meses, em alguns casos, e anos, em outros”, conta Batista. Segundo o psicólogo, estima-se que aproximadamente 15 a 20% da população mundial, em algum momento da vida, passou por um quadro depressivo, sendo que a maior parte das ocorrências acontece em mulheres. “Nas mulheres o número de casos beira, quando não ultrapassa, o dobro das ocorrências em homens”, conclui.
TEXTO: LUIS R LOPES