O que se ouviu por aí

“Somente passando por essa experiência é que se pode dizer do aprendizado que ela proporciona. Há muitos aspectos positivos, há muitos aspectos negativos. Dos positivos a simplicidade de algumas pessoas, a sua forma de comunicar-se, a sinceridade nos seus dizeres chegam a emocionar.
Dos negativos é saber que há raposas mais famintas que sabem se utilizar dessas pessoas simples para manipular-lhes as percepções definidoras dos votos.”
De um cândido candidato debutante, a olhar-se no espelho e reconhecendo-se como uma raposinha menos faminta, indizendo coisas dizíveis.

“Sempre é assim: se o cara ganha é porque roubou. Se o cara perde é porque não soube fazer a campanha. Quando chegará o dia em que o vencedor o será por méritos pessoais ou partidários e nunca porque possa ter roubado? E o dia em que o derrotado jamais será tido como tal pois terá exercitado com dignidade a sua condição de cidadão e participado de um processo cujo resultado somente aponta vencedores, considerando-se que todos ganham experiência?”
De uma iluminada afirmadora de ganhos, apontando para o calendário do próximo milênio, em animada rodada de consolações inúteis.

“Nessa lógica e considerando-se tudo o que se viu e ouviu nesse processo tão limpo quanto igual, levando-se em conta exatamente essa afirmação de que todos ganham, é possível entender a máxima de que alguns são mais ganhadores do que outros. E como!”
De uma ponta de lança de campanha sem maquiagens, rebatendo a afirmação inútil na rodada de consolações idem, resgatando, inconformada, a Revolução dos Bichos.

“Espero ainda ter a oportunidade de me deparar cara-a-cara com ela para dizer-lhe que, de fato, não lhe confiei meu voto. E não lha confiaria, jamais, por tudo o que ela disse de mim. Só que eu soube e agora comemoro o seu desempenho baixo. Aliás, baixíssimo!”
De uma envenenada exclamadora de comemorações vingativas, dizendo-se em fase pré-rebaixamento de nível e aguardando o tempo das fuças encostadas.

“Quando pensamos que já aprendemos bastante ou pelo menos o suficiente para saber dosar a confiança, eis que, atordoados, percebemos que ainda somos ingênuos demais. Estivemos o tempo todo com o coração na mão, um pé na frente e outro atrás. Pois deveríamos ficar sempre com os dois pés atrás e sem coração.”
De um enigmatizador de suficiências, plantando pulgas atrás de orelhas ingênuas, em exclamações atordoantemente confiadas.

“Brincadeira! Não sei nem o que dizer. Aliás, não há nada a dizer. O leite derramou!”
De um não-sabedor de dizeres, preciso na analogia das coisas, preciso na metáfora, seguro na convicção.

Enquanto isso, na Terra do Compromisso...
“Audiatur et altera pars” (Que a outra parte seja também ouvida)