A mudança está em vigor desde as primeiras semanas de 2012
Irati - A partir desse mês, muda a faixa etária para a vacina contra a hepatite B. O limite foi estendido de 24 para os 29 anos. Os adultos precisam ficar atentos para não esquecer o retorno aos centros de vacinação.Para ficar imunizado completamente é necessário receber as três doses da vacina. Sendo que a segunda dose deve ser administrada um mês após a primeira e a terceira somente depois de seis meses da segunda. De acordo com o chefe da 4ª Regional de Saúde, João Antonio de Almeida Jr., essa novidade aconteceu porque o Ministério da Saúde conseguiu adquirir uma quantidade maior de vacinas para distribuir para a população. “A quantidade de vacinas que nós temos, vamos disponibilizar para os pacientes daquela faixa etária que os pacientes são mais suscetíveis aquele tipo de doença. No caso de hepatite B, sempre foi visto que eram mais graves em crianças, adolescentes e adultos jovens até 19 anos. Com o aumento de oferta da vacina, estendeu-se essa faixa etária de vacinação até os 29 anos”, indica o chefe.
Até 2011, o Ministério da Saúde havia estabelecido a idade limite para a vacinação de pessoas com 19 até 24 anos. Atualmente, com a nova faixa etária estabelecida, para poder atender a essa nova demanda de usuários (com até 29 anos), que significa uma ampliação de 163% no quantitativo de vacinas, foram gastos mais de R$ 83,2 milhões. “Também foram contempladas outras categorias, por exemplo, também pode se vacinar quem trabalha na limpeza, salão de beleza, manicures, profissionais do sexo, militares, profissionais de saúde, não importa a faixa etária”, destaca o chefe de vigilância epidemiológica, Julio Cezar Budziake.
Segundo a coordenadora da imunização da 4ª Regional de Saúde, Fernanda Luize Faria Basílio, aos 25 anos o adulto já deve ter tomado no mínimo três doses da vacina contra a hepatite B. “O esquema é o seguinte: ao nascer, a criança já toma uma dose, depois, a criança com um mês de idade vai receber a segunda dose e com seis meses de idade ela recebe a terceira dose. Depois ela terá mais três doses de reforço, aí já pode ser considerada imune”, explica a coordenadora, que ainda enfatiza: “A cada 10 anos o adulto precisa receber o reforço da vacina, e isso continua até o fim da vida”.
Quem não tem certeza se está ou não imunizado, ou perdeu a carteira de vacinação, pode recorrer a duas alternativas. Umas delas é procurar a Unidade Básica de Saúde (UBS), onde tenha se vacinado nos últimos anos, procedimento conhecido como “aprazamento”. As UBS têm controle das vacinações realizadas. A outra alternativa é fazer um exame de sangue chamado anti – HDS, que pode ser feito em qualquer laboratório particular, o Sistema Único de Saúde (SUS) também realiza esse exame, mas “não é um exame utilizado rotineiramente. Algumas prefeituras podem até disponibilizar essa análise, mas normalmente é solicitada em casos específicos, é mais utilizado para admissão de profissionais na área de saúde e para doadores de sangue”, explica o chefe da 4ª Regional de Saúde.
Se nenhuma dessas alternativas for possível por qualquer motivo, a última opção é obter novamente as doses. “Se a pessoa não tem comprovante de vacinação que recebeu essas doses, ou, por exemplo, ela é uma pessoa de algum grupo de risco, a gente vacina novamente mais três doses para garantir a imunidade dessa pessoa”, reforça a coordenadora Fernanda. De 2007 a 2011, Irati apresentou 46 casos de pacientes com a doença. Desses, 30 homens e 16 mulheres. “Anualmente, o Ministério da Saúde gasta na região da 4ª Regional de Saúde aproximadamente R$ 30 mil ao ano com vacinas de hepatite B, sem campanha, fora a seringa, agulha e vacinador”, afirma João. Outro ponto que é preciso ser esclarecido entre a população adulta é que não adianta a pessoa tomar a primeira dose, a segunda e não tomar a terceira. “Passou um ano, perde a validade das outras duas, essa pessoa não fechou todo o ciclo. E vai ter que começar do zero, ou seja, tomar novamente as três”, indica o diretor.
De acordo com dados da 4ª Regional de Saúde, o Ministério da Saúde gasta em média com vacina na região mais de 2 milhões por ano. E ainda possui nove geladeiras para armazenar as vacinas e dois freezers para guardar as embalagens com gelo reutilizável, que são usados dentro dos recipientes de isopor ou da caixa térmica para conservar as vacinas que serão destinadas a outros lugares. E também para algum caso de emergência, para estar acomodando essas vacinas dentro de caixas térmicas, essas vacinas têm a temperatura ideal, tem que estar entre 2 e 8 graus. “Há um controle rigoroso da temperatura, temos um plantão de 24 horas dos profissionais de saúde que ficam responsáveis caso ocorra uma queda de energia, para garantir a qualidade e a eficácia das vacinas”, aponta a coordenadora Fernanda.
É muito comum que os pais estejam atentos ao calendário de vacinação dos filhos, ainda mais por conta das campanhas e das sequências de doses que ficam marcadas para o retorno nos próximos meses ou anos. Na fase adulta, o cenário costuma mudar um pouco: boa parte dos adultos não se lembra que precisa renovar a dose de imunização contra algumas doenças em determinado período. De acordo com o Ministério da Saúde, a partir dos 20 anos é necessário tomar mais quatro vacinas: A tríplice viral (que protege contra o sarampo, a caxumba e a rubéola), a vacina dupla, que protege contra a difteria e o tétano, sendo necessária uma dose a cada dez anos. As vacinas contra febre amarela e hepatite B também devem ser aplicadas a cada dez anos. “Não podemos deixar que essas doenças voltem a acontecer”, enfatiza a coordenadora Fernanda. Para evitar problemas futuros e possíveis epidemias, a atenção dos adultos deve ser redobrada para além da vacinação de rotina às campanhas nacionais, que ocorrem no país desde 1980. Em 2011, aconteceram três campanhas: contra a influenza ou gripe sazonal, contra a poliomielite e contra o sarampo. “O que preocupa a Saúde Pública não são os casos importados, e sim os casos autóctones , ou seja, os casos adquiridos aqui”, finaliza o chefe João.
Entenda a hepatite B
A hepatite B é uma doença silenciosa, dados do Ministério da Saúde apontam que em 70 % dos casos o paciente não apresenta os sintomas, que são náuseas, vômitos, mal-estar, febre, fadiga, perda de apetite, dores abdominais, urina escura, fezes claras, icterícia (cor amarelada na pele e conjuntivas). E essa doença pode se tornar crônica, e evoluir para cirrose hepática e câncer de fígado (carcinoma hepatocelular).
O vírus da hepatite B pode ser encontrado no sangue, na saliva, no sêmen e nas secreções vaginais da pessoa infectada. A transmissão pode ocorrer durante a gravidez (durante e após o parto); através de machucados na pele e nas mucosas. Pessoas que utilizam drogas injetáveis também correm risco. Relações sexuais sem proteção representam outra via importante de transmissão.
Texto e fotos: Gisele Manjurma, da Redação
Publicado na edição 603, 25 de janeiro de 2012.
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