O delegado solicitou à justiça a prisão preventiva do casal, a fim de impedir que eles saiam da cidade

Os autores serão indiciados por homicídio duplamente qualificado. O casal que acobertou os assassinos também deverá ser penalizado

Irati – A Polícia Civil de Irati indiciou o casal Gislaine Fernandes Gaspar, de 19 anos, e Adenilson Pedroso, de 21, como autores do homicídio de Hilda dos Santos, 41. Por volta das 15h10 desta quarta (18), a Polícia Militar fechou o cerco em torno do paradeiro dos suspeitos, encontrado após intensas investigações da Polícia Civil e do Serviço Reservado. A residência, no prolongamento da Avenida Vicente Machado, serviu de esconderijo para os dois por cerca de 48 horas, numa tentativa frustrada de escapar do flagrante. O casal teve a prisão temporária decretada pela justiça ainda na noite desta quarta (18), o que pode logo ser convertido para prisão preventiva, conforme aponta o delegado Jorge Luiz Wolker, responsável pela 41ª Delegacia Regional de Polícia Civil, em Irati.
O delegado relatou que aguarda apenas a conclusão do laudo do Instituto Médico Legal (IML) e do Instituto de Criminalística para concluir o inquérito. Ele solicitou a prisão preventiva a fim de impedir que o casal saia da cidade, uma vez que eles já tentaram se esconder da polícia.
De acordo com a PM, os dois estavam sozinhos, num quarto da casa, e não reagiram à prisão. Os proprietários da residência, P. M. C. e Z. A. P. não estavam em casa no momento da prisão dos suspeitos pelo assassinato, mas foram localizados após diligências. A dona da casa, Z., declarou aos policiais que deu abrigo ao casal pois eles prometeram que se apresentariam à polícia. Ela e o marido foram indiciados por favorecimento pessoal, pelo fato de terem acobertado os autores do crime por dois dias consecutivos, sem informar a autoridade competente.
De acordo com o delegado, a vítima já possuía uma rixa antiga com Gislaine e seu convivente, Adenilson. De acordo com ele, o motivo mais recente de implicância mútua era a disputa sobre o muro que divide os terrenos deles. Além disso, outros fatores eram motivo de briga: de um lado, os cachorros do casal; de outro, as crianças da vítima, que tinha cinco filhos. Para Wolker, esse era o mote: uma antipatia recíproca que se intensificou com o passar do tempo.
Conforme o depoimento prestado pela autora, que confessou o crime, Hilda estava em sua casa quando Gislaine foi alimentar os cães, em torno de 20h30 e 21 horas de domingo (15). Nesse momento, a vizinha passou a xingar Gislaine de prostituta e outros termos de baixo calão. A indiciada, num súbito, invadiu a cozinha da residência de Hilda para tirar satisfações e ambas entraram em discussão.
O delegado aponta que, quando Gislaine entrou na casa, a vítima estava com uma faca serrilhada na mão – das usadas para cortar pão. A jovem pegou uma banqueta e deu uma pancada em Hilda, que ficou atordoada. Aproveitando a distração da vítima, a autora observou que havia uma faca numa gaveta entreaberta, que usou para desferir o primeiro golpe contra o tronco da assassinada. Atingida, a vítima começou a cambalear, provavelmente devido ao sangramento, e caiu num sofá.
O marido, Adenilson Pedroso, afirmou em depoimento que tentou apartar a briga e, ao fazê-lo, segurou Hilda por trás, ocasião em que Gislaine deu o golpe fatal, ao degolar a vítima, que caiu esvaída. Também relatou que momentos antes da chegada da PM à cena do crime, eles planejaram a fuga, ao ligar para o casal de amigos – que estava de sobreaviso em relação ao crime cometido – e pedir guarida enquanto procuravam um advogado. Adenilson será enquadrado como co-autor do crime, e não como cúmplice, pois participou da ação, ao segurar a vítima para que sofresse o golpe.
Segundo Wolker, os dois alegaram ter corrido até a própria casa, a seguir, a fim de separar objetos pessoais para a fuga. Eles correram para um matagal, onde se desfizeram das roupas que usavam no momento do crime. Gislaine disse à polícia que usava uma camiseta verde, que ficou suja de sangue e foi queimada por ela para ocultar provas. Gislaine disse ter levado consigo a faca utilizada na degola e perdido no matagal, em meio à correria da fuga. Portanto, não foi localizada a arma do crime. A ocultação de provas, em determinados casos, pode configurar crime de fraude processual, de acordo com o artigo 347 do Código Penal.
“Tenho certeza de que eles serão condenados e a pena será pesada, de até 17 ou 18 anos, pelos agravantes implicados”, acredita Wolker. Contra os indiciados, há o fato de o crime ter ocorrido em período noturno, por motivo torpe e sem chance de defesa para a vítima. “A resolução desse crime foi bastante rápida, pois a polícia já dispunha de informações. Foi diferente de um latrocínio, que de repente um desconhecido invade uma casa, mata e some da cidade”, observa o delegado, que atribui a possibilidade de condenação por homicídio duplamente – ou, de forma provável, triplamente – qualificado. O fato de outros vizinhos terem testemunhado a rixa, que se estendia pelos três anos que a vítima e os criminosos conviveram, e o fato de eles terem desaparecido de casa após o assassinato, auxiliaram a polícia a levantar as suspeitas sobre eles.
Criminalidade
Este já é o segundo assassinato ocorrido em Irati em menos de 10 dias. No entanto, o delegado observa que a suposta intensificação da criminalidade nesse período é um fator estatístico. No ano passado, aconteceram apenas três crimes desta natureza em Irati, o que dá a média de um caso a cada quatro meses.
“Pode acontecer um ontem e um hoje; se no ano todo não acontecer mais nenhum, teríamos na média um a cada seis meses. Esperamos que não aconteça mais. O homicídio é algo que a polícia não tem como impedir. Quando uma pessoa resolve matar alguém, ela vai matar. O que tem deve ser feito é atuar depois do crime para que não haja impunidade”, pondera Wolker.
O delegado acredita que nem mesmo o desarmamento é suficiente para impedir assassinatos. “Se alguém quer matar, não precisa de uma arma de fogo: pode matar com uma faca, um pedaço de pau, jogar o carro sobre alguém”, observa.

Texto: Edilson Kernicki, da Redação
Foto: Gisele Manjurma, da Redação

Publicado na edição 603, de 25 de janeiro de 2012

 
 

Nenhum comentário

Seja o primeiro a deixar um comentário.

Deixe um Comentário