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Região mantém a média de nascimentos nos últimos 4 anos, enquanto Brasil enfrenta queda

Enquanto o Brasil enfrenta uma queda histórica no número de nascimentos, com registros atingindo o menor patamar desde 1977, a região de Irati mantém números estáveis nos últimos quatro anos.

19/04/2024

Região mantém a média de nascimentos nos últimos 4 anos, enquanto Brasil enfrenta queda

Recentemente o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou que o Brasil registrou 2,54 milhões de nascimentos em 2022, resultando em uma queda de 3,5% na comparação com 2021, quando o número foi de 2,63 milhões. Segundo o instituto, este é o quarto recuo consecutivo no total de nascimentos do país, que chegou ao menor nível desde 1977.  

Já nos nove municípios da região que compõe a 4ª Regional de Saúde, os números de nascidos vivos mantêm taxas parecidas nos últimos quatro anos. No ano de 2020, essas cidades juntas registraram 2.132 nascimentos; em 2021 foram 2.158 nascimentos;  em 2022, 2.166 bebês vieram ao mundo; e em 2023 foram 2.164.

Segundo a chefe da 4ª Regional de Saúde, a médica Larissa Mazepa, os números nos municípios da região são estáveis, o que ela acredita que se deve às políticas de atenção primária à saúde, implementadas em Irati, Fernandes Pinheiro, Guamiranga, Imbituva, Inácio Martins, Mallet, Rebouças, Rio Azul e Teixeira Soares. “Eu acho que isso se deve bastante às políticas públicas que foram começando a serem implantadas desde o governo anterior, com as políticas de atenção primária, e com isso pode ser que tenha estabilizado. Eu posso dizer que aqui temos números estáveis na região”, comenta.

Ainda de acordo com dados do IBGE, em 2018, o Brasil havia registrado 2,89 milhões de nascimentos. Em comparação com a média dos cinco anos anteriores à pandemia de COVID-19 (2015 a 2019), há uma diminuição de 326,18 mil nascimentos, ou 11,4%. Por sua vez, na 4ª Regional de Saúde houve 2.410 nascidos vivos em 2018. Já a média entre 2015 e 2019 foi de 2.379, uma diminuição de 31 nascimentos, o que representa 1,29%

Comitê de Mortalidade Materno-infantil

Enquanto os números de nascimentos na região mantem-se estável, a médica Larissa Mazepa ressalta uma preocupação vital: os cuidados pré-natais. Ela destaca a importância da atenção à saúde antes mesmo do nascimento, destacando questões cruciais para o bem-estar tanto da gestante quanto do bebê. “No ano passado nos chamou a atenção alguns óbitos materno-infantil e com isso a gente reavivou o Comitê de Mortalidade Materno-infantil. Esse comitê faz um diagnóstico dos óbitos e analisa os prontuários tanto dos bebês que foram a óbito e das mães para saber se esses óbitos eram evitáveis ou não evitáveis”, descreve a médica.

O comitê fica responsável por analisar as causas dos óbitos de bebês e gestantes e dar prosseguimento quando necessário em ações que podem gerar sanções quando comprovada negligência médica. “Se forem óbitos evitáveis, a gente chama o hospital para uma conversa para que isso não aconteça novamente, essa é a nossa primeira ação. Nos últimos 5 anos não tivemos nenhum óbito evitável, somente não evitáveis diretamente”, explica Larissa.

Ela destaca que o tipo mais comum de óbito fetal durante a gestação está diretamente ligado à falta de higiene por parte das próprias gestantes. A médica cita que este triste cenário ainda existe na região, representando uma questão de saúde pública que requer atenção e medidas preventivas eficazes. “A maioria dos óbitos, principalmente fetais, são por infecção do trato urinário e isso se dá por falta de conhecimento da própria gestante. Isso se enquadra como não evitável”, explica.

Com o intuito de enfrentar esse desafio e levar informações vitais às gestantes, Larissa conta que foram introduzidas novas carteirinhas de pré-natal contendo orientações detalhadas sobre prevenção e ações a serem tomadas em casos de certos sintomas durante a gestação. Essa medida visa não apenas alertar para os problemas existentes, mas também fornecer ferramentas para cuidar da saúde de maneira proativa. “No início deste ano foram lançadas novas carteirinhas para as gestantes pelo Governo do Estado, e elas vêm com diversas dicas para as gestantes explicando como agir quando tiver algum sintoma, para procurar o ginecologista, a unidade de saúde, justamente para tentar trazer mais informação, além do que hoje temos muita informação em nosso celular, mas parece que muitas vezes não é o suficiente e, perante isso, a gente está colocando também na carteirinha da gestante que é um documento obrigatório”, enfatiza.

Prevenção de óbitos entre jovens

Outro dado divulgado pelo IBGE foi que em 2022 o número de óbitos no geral caiu 15,8% no país em comparação com 2021, mas as mortes de crianças e adolescentes até 14 anos aumentaram.

Na 4ª Regional de Saúde, em 2022, foram registrados 1.494 óbitos em geral, uma redução de 152 ocorrências em comparação com o ano anterior, quando foram registrados 1.646. Desta forma, a redução do número de óbitos na região foi bem menor do que a nacional, ficando em 9,23%.

Já as mortes de jovens entre zero a 14 anos na 4ª Regional de Saúde, foram 379 óbitos nos últimos 10 anos, sendo o maior número em 2018, com 45 óbitos registrados e o menor sendo 25, em 2022. A médica Larissa Mazepa explica como a regional tem trabalhado para melhorar esses números. “Tendo uma boa taxa de natalidade, uma boa alimentação e tendo uma redução dos óbitos de zero a 14 anos – que a principal causa, tirando os traumas e os acidentes, eram as doenças parasitárias e anemias –, e com a mudança no estilo de vida, na parte nutricional da criança, incluindo o que a escola oferece hoje que é extremamente balanceado”, afirma.

Ela explica que atualmente existem políticas sociais interligadas nas áreas da saúde e educação dos municípios que avaliam quando o jovem precisa de uma atenção na saúde física ou emocional, o que ajuda no seu desenvolvimento.

Larissa ressalta também a importância de abordagens integradas para promover o bem-estar abrangente dos jovens, incluindo atenção psicológica e o suporte necessário para prosperar em todas as áreas de suas vidas.

“As políticas públicas do Paraná, elas se interligam bastante, e nós temos a interligação entre a Educação, a Saúde e Assistência Social, e isso faz com que culmine num atendimento melhor para a população”, descreve.

Atenção primária à saúde

Na busca por avanços na saúde pública, a atenção primária emerge como fundamental para assegurar o bem-estar da população em geral.

De acordo com a médica Larissa Mazepa, a falta de acompanhamento adequado nos cuidados primários de saúde pode resultar em intervenções tardias, trazendo complicações aos pacientes. Neste contexto, ela cita a importância do trabalho dos Agentes Comunitários de Saúde, que compõem a equipe multiprofissional nos serviços de atenção básica à saúde e desenvolvem ações de promoção da saúde e prevenção de doenças, tendo como foco as atividades educativas em saúde, em domicílios e coletividades.

Com esta atuação, há um registro das ocorrências e um mapeamento para a prevenção através de acompanhamentos ao paciente. Para Márcio Rodrigo Schoenherr, que atua na Divisão de Vigilância e Saúde da 4ª Regional, o número insuficiente de Agentes Comunitários de Saúde que ocorre em alguns municípios da região faz com que os registros não sejam realizados, o que impacta inclusive em investimentos na saúde da região. “Irati avançou muito na saúde, mas muitas vezes pela falta do registro esse serviço não chega até o Ministério da Saúde e com isso acaba perdendo investimento do governo federal e estadual”, avalia.

O ex-secretário de Saúde de Irati, João Almeida Junior (que deixou o cargo na última semana), também destaca a importância vital dos agentes comunitários de saúde na atenção primária. Para ele, esses profissionais desempenham um papel central ao conectar a população aos serviços de saúde. “Os agentes comunitários de saúde são, se não for a peça principal, um dos elos principais da atenção primária, que é onde a população chega na unidade. O agente comunitário é aquela pessoa que vai nas casas, identifica a doença e leva até o médico todos os pacientes. Então, para uma atenção primária ótima ou de excelência, nós precisamos dos agentes comunitários de saúde fazendo a função principal deles”, comenta.

Ele reconhece que existe uma escassez de unidades de saúde em Irati e, por conseguinte, de equipes de Saúde da Família e agentes comunitários. “Aqui em Irati a gente tem uma defasagem. Nós não temos unidades de saúde suficiente e consequentemente Equipes de Saúde da Família que traria esse agente comunitário, então nós estamos trabalhando junto com o Governo de Estado e Governo Federal atrás de novas unidades de saúde, nós queremos construir ainda esse ano mais uma unidade lá no bairro em Nhapindazal e uma central para que, depois, com a equipe completa incluindo os agentes comunitários, nós possamos desenvolver esse trabalho”, afirma João. “Nós estamos conversando com o Ministério da Saúde para que eles tenham e apliquem para nós a disponibilidade de ter mais agentes comunitários de saúde, aí num segundo momento nós distribuirmos esses agentes comunitários para todas as unidades”, complementa.

Nascidos vivos na 4ª Regional de Saúde

Desde 2004, a 4ª Regional de Saúde mantém os registros do número de nascimentos nos 9 municípios que compõe a região. Nos últimos quatro anos, verifica-se uma estabilidade no número de nascimentos. No entanto, ao considerarmos os 10 últimos anos houve uma queda de 5,45% no número de nascimentos, passando de 2.282 em 2013 para 2.164 nascimentos em 2023.

 

Ano

Número de nascimentos

2004

2.703

2005

2.743

2006

2.615

2007

2.391

2008

2.309

2009

2.280

2010

2.383

2011

2.296

2012

2.328

2013

2.282

2014

2.325

2015

2.370

2016

2.370

2017

2.444

2018

2.410

2019

2.300

2020

2.132

2021

2.158

2022

2.166

2023

2.164

 

Texto: Lenon Diego Gauron/Hoje Centro Sul

Fotos: Pexels e Divulgação

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Edição 1594
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